A MIGALHA COMO TOPOS: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE ERNST R. CURTIUS E SØREN KIERKEGAARD SOBRE METÁFORAS ALIMENTARES E TRANSCENDÊNCIA
Palavras-chave:
Topos, Migalhas Filosóficas, Curtius, Kierkegaard, Metáforas AlimentaresResumo
O presente ensaio explora o conceito de topos e a metáfora das migalhas presentes nas obras de Ernst R. Curtius e Søren Kierkegaard, articulando suas respectivas abordagens literária e filosófica para revelar a relevância dessa imagem no pensamento ocidental. Ao longo do trabalho, busca-se investigar como o conceito de topos, conforme desenvolvido por Curtius, pode ser vinculado à metáfora da migalha na tradição literária medieval e, ao mesmo tempo, como Kierkegaard, ao utilizar essa imagem em sua obra Migalhas Filosóficas, a transforma em um símbolo existencial, ético e religioso. A relação entre esses dois pensadores é analisada com base na premissa de que, embora se situem em contextos teóricos distintos, ambos reconhecem na migalha um signo de transcendência e de revelação, seja no plano literário, seja no existencial. Curtius, em sua obra seminal Europäische Literatur und Lateinisches Mittelalter (Literatura europeia e Idade Média Latina), apresenta os topoi como formas retóricas recorrentes que estruturam o imaginário cultural europeu. A migalha, nesse contexto, é vista como um elemento do repertório simbólico medieval que se adapta e ressurge ao longo da história. Já Kierkegaard, em sua obra filosófica, utiliza a migalha como metáfora do paradoxo cristão e da verdade existencial, associando-a à ideia de fragmentação e à busca de sentido no caos da condição humana. A análise desses dois pensadores, portanto, não é circunscrita por uma comparação histórica, mas busca-se entender como a migalha, enquanto topos, articula uma visão de mundo que abarca tanto a tradição cristã quanto a filosofia existencial. Por fim, este texto ensaístico propõe que o conceito de topos da migalha, ao ser abordado sob essas duas óticas, oferece uma chave hermenêutica para compreender como a linguagem desenvolve possibilidades de captar o transcendente, mesmo em sua forma mais fragmentária e dispersa.
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